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RISCOS AMBIENTAIS PARA A SAÚDE CARDIOVASCULAR: IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM

Data de publicação  28/03/2025, 10:52
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Turma VIII (2024)

Aluno (a): CLARA BEATRIZ COSTA DA SILVA

Orientador (a): Prof.ª Dr.ª Rafaella Pessoa Moreira

Resumo: A variabilidade climática tende a aumentar nos próximos anos, e como consequência, trazer impactos negativos para a saúde, como o aumento das internações por doenças cardiovasculares (DCV) e diabetes mellitus (DM). No entanto, são poucos os estudos sobre essa temática. Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa foi: compreender os riscos ambientais para as DCV com foco nas implicações para o conhecimento em enfermagem. O estudo apresenta método misto estruturado em três etapas: (1) elaboração de uma revisão de escopo conforme metodologia do Joanna Briggs Institute, na qual buscou-se identificar as principais DCV, as populações mais vulneráveis e os mecanismos fisiológicos para o desenvolvimento e/ou agravamento dessas doenças, e os principais fatores de risco (FR) intensificados pelos desastres naturais; (2) dois estudos de série-temporal realizados com dados do DATASUS e o banco de dados de Xavier et al. de 2022, que teve como objetivos, analisar de forma espacial, temporal e descritiva os casos e as tendências de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) e sua relação com as variáveis climáticas no clima seco no Ceará; (3) como última etapa do estudo, realizou-se um estudo reflexivo, baseado nos resultados das etapas anteriores da pesquisa, no mapeamento dos diagnósticos de enfermagem (DE) presentes na NANDA-I e na adaptação do Modelo de Sistemas de Betty Neuman (Neuman; Fawcett, 2011), com o objetivo de descrever as implicações dos riscos ambientais no desenvolvimento das ações de enfermagem. Em relação aos resultados, um total de 74 estudos foram incluídos na revisão. As pesquisas apontaram que o IAM (n=20) e o AVC (n=13) foram as principais DCV influenciadas pela variabilidade climática, poluição atmosférica e desastres naturais. O risco de DCV e DM também é elevado por impacto indireto de terremotos e furacões que amplificam FR como vulnerabilidade socioeconômica (n=4); interrupção do tratamento (n=3), estresse (n=3) e dieta inadequada (n=2). Quanto aos resultados dos estudos de série, identificou-se a notificação de 34.182 internações por IAM e 80.685 internações por AVC. Os anos de 2017 e 2019 apresentaram os maiores números de internações para IAM, enquanto 2018 e 2019 foram os anos com maior número de internações por AVC. Tendências crescentes foram identificadas para ambas as doenças (Z = 9,17 e 15,45) e temperatura média no estado (Z = 6,08). Na terceira etapa do estudo, nenhum dos DE da NANDA-I “Risco de volume de líquidos inadequado”, “Risco de função cardiovascular prejudicada”, “Risco de pressão arterial desequilibrada”, “Risco de trombose” ou “Risco de termorregulação ineficaz” tiveram seus componentes direcionados aos FR: exposição a extremos de temperatura, baixa umidade e baixa precipitação, poluição atmosférica e desastres naturais. Conclui-se que as variáveis climáticas, poluição atmosférica e desastres naturais podem influenciar no desenvolvimento/agravo de DCV e DM em pessoas que vivem em regiões secas. Ressalta-se que no Ceará (região seca), o aumento de internações por DCV coincidiu com aumentos de temperatura no Estado. Embora a influência destes estressores na saúde cardiovascular tenha sido apontada nas primeiras etapas do estudo, ainda não estão presentes nos componentes dos DE da NANDA-I.

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